Engula rãs, e não sapos

terça-feira, 21 de abril de 2009


Hoje de manhã, feriado de Tiradentes, eu estava acordado ainda e, ao zapear pela TV, parei no programa da Ana Maria Braga. OK, eu assisto, de vez em quando. #prontofalei! E adoro a 'casa' dela, no meio daquele verde todo, com aquela cozinha que faz a cabeça (ou o chapéu) de qualquer chef, com panelas francesas, fogões industriais e todos aqueles ingredientes fresquinhos e bonitos que somente uma boa produção consegue obter.


E na manhã desta feriado, Ana Maria, que é formada em zoologia, apresentou pratos feitos com rãs comestíveis. Uma meia dúzia de pratos. Uma delícia! Eu gosto de rãs desde que, no interior, descia o Rio Turvo de boia, no comecinho da noite, para caçar o anfíbio. Depois, fritávamos a rã para comer com cerveja.


Aqui em São Paulo, se eu não me engano, o restaurante Moraes servia carne de rã. Olhei no site e não achei referência a essa carne. Acho que alguns restaurantes mais sofisticados devem fazê-lo.

A carne de rã, a princípio, é consumida por gourmands e por pessoas que não se intimidam com a carcaça, o aspecto ou, antes de tudo, com a imagem que tem determinado ingrediente, seja animal, vegetal ou marítimo. Eu, pelo menos, experimento antes de dizer se gosto ou não.


E a Ana Maria Braga fez exatamente esse discurso ao mostrar os girinos e fases evolutivas e, depois, consumir para o telespectador os mais diversos pratos de rã. Apenas por isso, eu já gosto dela (#prontofalei de novo).

Existem diversas espécies de rãs comestíveis. No entanto, a mais indicada para a produção comercial é a rã-touro ou rã-americana (Rana catesbeiana). Como o sobrenome diz, essa espécie é originária dos EUA e foi trazida ao Brasil em 1935, onde se adaptou perfeitamente às condições climáticas. Os ranários brasileiros produzem cerca de 500 toneladas de rã por ano, e boa parte é exportada, principalmente para os EUA e França. O comércio interno é restrito tanto pelo preconceito contra a carne do anfíbio quanto pelo preço que, para o consumidor final, chega a R$ 40 o quilo. É caro. Além dessa espécie, há uma rã nativa, a rã-pimenta (Leptodactylus labirinthicus), que tem ótimo sabor e é mais rica em proteína do que as demais rãs. Essa era a rã que caçávamos no Rio Turvo.


Para não tomar sapo por lebre, ou melhor, sapo por rã ou perereca, é bom que fique claro que apenas algumas espécies de rã são comestíveis. Embora os três animais sejam anuros, os sapos e pererecas não se prestam ao consumo.

E como comer rã? Como se come um galeto de frango ou um peixe frito na hora. A rã, inclusive, assemelha-se, no sabor, tanto ao frango quanto ao peixe. Pode ser comida frita, assada, como recheio de empadas e coxinhas, ao molho e até mesmo pode-se fazer uma moqueca de rã. É como o frango e o peixe, que podem ser usados como matéria-prima principal de um prato ou como ingrediente. Eu recomendo, de verdade. Mas não precisa sair por aí a coaxar ou macaquear para adquirir rãs. No Mercado Municipal, em São Paulo, é possível encontrá-las prontas, limpas para cozinhar.

Comments

2 Responses to “Engula rãs, e não sapos”
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Klaus Weiss disse...

Me lembro bem de ter comido uma rã sensacional no Pirajá, puxadinha na manteiga e limão... mas já faz um tempão!

13 de junho de 2009 11:54
Redneck disse...

Oi Klaus, eu já fui no Pirajá e nem me dei conta da rã como prato. Mas tem um outro restaurante (que eu não conheço) que dizem que serve uma rã esperta: é o Rancho da Traíra (http://www.ranchodatraira.com.br), com unidades em SP, Mogi das Cruzes e Belo Horizonte. É raro achar carne de rã. Havia um restaurante muito bom no centro velho de SP (que eu não me recordo o nome) mas acho que, como quase todos, fechou. Abraço!

16 de junho de 2009 01:28