Vintage

domingo, 15 de março de 2009


A palavra "vintage", literalmente, significa vindima ou safra de vinho. A origem vem da junção das palavras "vint" (safra de uvas) e "age" (idade). O mundo da moda apropriou-se do termo para definir roupas que marcaram determinada época. E, agora, eu me aproprio do termo para nomear esta seção dominical na qual escreverei sobre produtos gastronômicos antigos que estão no mercado há muito tempo. Como a longevidade é uma virtude (neste caso) cada vez mais rara, me proponho a destacar produtos culinários ou bebidas que nunca saem de moda. São, pois, de boa safra. O único critério aqui é pessoal. Estes posts "Vintage" não têm nada a ver com merchadising ou qualquer outro tipo de atividade comercial.


Para inaugurar a seção, começo com a manteiga Aviação, que existe desde 1920. Ou seja, no ano que vem, completará 90 anos. A manteiga foi criada há mais de 3 mil anos. Os gregos e romanos, porém, não lhe davam uso culinário, e sim medicamentoso. O uso da manteiga como ingrediente, supõe-se, começou na Noruega, no século VII, e de lá espalhou-se para outras regiões da Europa.

No Brasil, a manteiga, originalmente, era importada, no século XIX, de Portugal. Na época, o produto era de fabricação britânica. O gosto ainda não era apurado como o é hoje: era salgada e rançosa e precisava ser lavada antes de ser consumida. A manteiga, quando começou a ser feita por aqui, era produzida de forma artesanal, em pequenos sítios e chácaras. E demorou algum tempo para que empresas de laticínios assumissem a fabricação da manteiga do tipo extra, feita de creme (mais conhecido como nata) pasteurizado, já dentro dos processos de segurança e higiene que são, atualmente, obrigatórios.

Exatamente no dia 20 de setembro de 1920, fundou-se a empresa Gonçalves Salles S.A. - Aviação. Inicialmente, a empresa constituía-se de um armazém de secos e molhados na cidade de São Paulo e de uma fábrica de laticínios na cidade de Passos, em Minas Gerais. A partir de 1975, a empresa passou a fabricar apenas produtos derivados do leite, com ênfase na manteiga. E, atualmente, tem uma moderna fábrica de derivados de leite na cidade de São Sebastião do Paraíso, em Minas Gerais.

A manteiga tanto pode ser consumida diretamente - em fatias de pão, de biscoitos, bolos, tortas etc. - quanto pode ser usada como ingrediente para cozinhar. Pode ou não conter sal. Os tipos de manteiga existentes no mercado são variados, inclusive com a recente adição de manteigas temperadas. Mas, basicamente, são dois os tipos de manteiga: ácida ou doce (tradicional). A manteiga é um produto de origem animal, obtido a partir de leite de animais como a ovelha, a vaca e a cabra.

Embora haja grande confusão entre manteiga e margarina, é fácil fazer a distinção entre ambas: a manteiga é de origem animal e contém gorduras saturadas que, consumidas em excesso, são prejudiciais à saúde. A margarina é um produto de origem vegetal e é rica em ácidos graxos polisaturados e monoinsaturados, menos prejudiciais à saúde.

Ainda assim, não vejo outra definição melhor do que a combinação manteiga Aviação e pão francês para um típico café da manhã em São Paulo. Tem cheiro e gosto de fazenda e de vida que acorda. Isto é, quando eu acordo cedo e, em especial, no domingo de manhã.

Comments

2 Responses to “Vintage”
Post a Comment | Postar comentários (Atom)

Anônimo disse...

hm, adoro um pãozinho com manteiga, especialmente se estiver quentinho a sair do forno!É um lanche muito simples, mas muito apetecido (pelo menos, por mim). Deste-me fome, acho que vou comer um pão com manteiga.

beijo

Ana

17 de março de 2009 21:32
Redneck disse...

Ana, você vê como os hábitos são bastante similares? Claro que o pãozinho com manteiga ao qual me refiro vem das padarias de origem portuguesa de São Paulo. Aliás, o nosso mais tradicional pão aqui é o 'pão francês', que é uma adaptação das baguetes francesas e é consumido de Norte a Sul do Brasil. A manteiga, desde que eu me lembro, era feita por minhas avós em casa. A minha irmã faz uma excelente manteiga de leite que vem direto da fazenda. Beijo!

18 de março de 2009 20:29